Thiago Almeida Ferreira
Em
Contra Apion, Josefo,
cita um historiador babilônico que havia escrito a respeito de uma inundação que
teria destruído toda espécie humana:
“Berossos, que
era dessa nação e que é tão conhecido e estimado por todos os literatos pelos
seus tratados de astronomia e das outras ciências dos caldeus, que ele escreveu
em grego, afirma, conforme as mais antigas histórias e ao que Moisés disse, a
destruição do gênero humano pelo dilúvio, com exceção de Noé, autor da nossa
raça, que por meio da arca salvou-se, aportando ao cume dos montes da Armênia”
Josefo
usa dessa citação para legitimar a antiguidade da nação dos judeus. O Dilúvio durou
quarenta dias e quarenta noites, e destruiu tudo que tinha vida e estivesse
sobre a terra. Após o fim, Noé desembarcou junto com sua família e seria
responsável pelo repovoamento da terra.
Os relatos da construção da Arca por Noé, também são mencionados
no Alcorão, onde é mostrado que Noé recebeu a inspiração divina para chamar seu
povo a adorar a Deus. Os homens permanecerem incrédulos e duvidosos de Noé, que
os adverte que uma grande inundação seria causada por Deus, para castigá-los e
pediu que retornassem ao caminho de Deus. Ele foi ignorado, mas construiu sua
arca e embarcou com sua família e um casal de cada espécie.
Diferentemente da versão de Gênesis, um dos filhos de Noé resolve
não entrar na Arca construída por ele, e é castigado sendo afogado junto com
todos os outros que resistiram e caçoaram das palavras do Mensageiro.
Outro fato diferente da narrativa bíblica é um trecho da Sura 71,
do Alcorão, onde é mencionado o nome de três divindades (Suwa’, Yaguth e Nasr)
que eram cultuados na Arábia pré-islâmica. Essas divindades foram mencionadas
pelo povo de Medina, que recusava a seguir as revelações de Noé e foram
descritas pelo historiador Ibn Al-Kalbi,
que viveu em 737 – 819 d.C em seu livro Kitab Al-Asnam (O livro dos Ídolos).
O fogo no fim do
mundo de Berossos e Muhammad
Berossos foi um grande astrólogo que viveu
durante o período helenístico, sua obra Babylonika,
é citada por alguns autores antigos mostrando a credibilidade de seus
trabalhos. Sêneca cita uma passagem perdida da obra de Berossos, que trata a
respeito de uma possível destruição da terra durante alinhamento dos planetas
no signo de Câncer.
“Essas catástrofes
ocorrem com o movimento dos planetas. Com efeito, ele [Berossos] está tão certo
disso que assinalou a data para Conflagração e o Dilúvio. Para que as coisas
terrenas venham se queimar, ele defende que, quando todos os planetas que agora
mantêm uma órbita diferente vierem se encontrar no signo de Câncer, e todos tão
organizados num mesmo caminho numa linha reta que passe através das esferas de
todos eles. O Dilúvio ocorrerá quando o mesmo grupo de planetas se encontrarem
em Capricórnio.”
De acordo com a tradição
islâmica, no dia do Juízo surgirão dois rios perante os homens, um rio de fogo e
um de água. De acordo com um Hadith narrado por sahih Muslim Hudhaifa, o Profeta Muhammad disse:
“Eu sou o maior conhecedor do que terá o Dajjal. Ele terá dois rios, um
parecerá ser água fresca, e o outro parecerá ser um fogo voraz. Se algum de
vocês for submetido a essa prova que se dirija ao que pensa que é fogo, que
feche seus olhos incline sua cabeça e beba dele, pois é água fresca.”
É também mencionado no Alcorão:
“Aguarda, pois, o dia em que do céu descerá uma fumaça visível. Que
envolverá o povo: Será um doloroso castigo!”... “Sabei que a árvore de zacum, será
o alimento do pecador. com metal fundido que lhe ferverá nas entranhas. Como a
borbulhante água fervente. (E será dito aos guardiãos): Agarrai o pecador e
arrastai-o até ao centro da fogueira e Então, atormentai-o, derramando sobre a
sua cabeça água fervente.”
O fogo também aparece, em outro hadith “O profeta disse: À hora não será
estabelecida até que o fogo surja na ilha de Hijaz”
segunda a tradição, esse fogo levará todos os homens ao que hoje compreende ao Yêmen,
onde será um lugar de reunião.
As razoes
pelas quais o fogo e a água levará a humanidade ao fim dos tempos são
diferentes nas narrações corânicas e de Berossos. Mas vale ressaltar, o uso
desses dois elementos para construir uma profecia a respeito de destino final
do mundo.
“Nas
suas múltiplas formas, derivações e transmissões, os mitos sobre o fogo são
antes de tudo, mitos civilizatórios”. Uma vida longe dos ensinamentos de Allah,
de acordo com escatologia islâmica, terá como conseqüência padecer sob o fogo
do inferno. Assim, como o destino final dos que se mantiveram incrédulos nos
tempos de Noé e foram afogados pela grande inundação causada pelo Dilúvio.
Sêneca. Quaestiones
naturales. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1971-1972. Cit. por C. SILVA, RODRIGO - O
Nome do Fogo: Relações entre a Ekpyrosis, Astrologia e Milenarismo no Mundo
Helenístico Romano. Dissertação (Mestrado em História) Instituto de Humanas,
Departamento de História, Universidade de Brasília, Brasília: 2009. Disponível em: <http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/4790/1/Mestrado%20Rodrigo%20UnB%202009.pdf>
Sahih Al- Bukhari Volume 9, Book 88.244
O
Sagrado Alcorão. (Sura 44:10-11, 43-48)